domingo, 27 de março de 2022

lamento

imagem retirada da internet

Em 2017, a propósito da guerra de informação e contrainformação na guerra da Síria, desiludi-me com o ator George Clooney, não pelas suas qualidades na arte da representação, mas por ter dado cobertura às produções de propaganda dos “Capacetes Brancos” (White Helmets). George Clooney é um cidadão bem informado e, como tal, o seu ato foi indesculpável.

A guerra na Ucrânia fez cair, na minha consideração, um outro ator estado-unidense. Não enquanto ator, mas como cidadão, igualmente, bem informado, pelo menos assim o considero.

Sean Penn resolveu, não sei bem a troco de quê, assumir a defesa cega do presidente ucraniano, o que não significa bem a mesma coisa de assumir a defesa do povo ucraniano que, ao contrário do que nos querem fazer crer, não está todo ao lado de Volodomyr Zelensky, mas essa história será contada depois.

A minha desilusão com Sean Penn, vale o que vale, está ancorada em três factos devidamente comprovados e do domínio público, só não tem conhecimento quem não quer, a saber:

1 - “Máscaras da Revolução” documentário de uma TV francesa que podem ver no Canal de Documentários do Youtube; o documentário “A Ucrânia em Chamas” do realizador Igor Lopatnok (ucraniano a viver na Califórnia, produzido por Oliver Stone (estado-unidense); ou ainda “Donbass”, um documentário da jornalista francesa Anne-Laure Bonnel; Estes documentários falam de uma questão que Sean Penn sempre ignorou. Não por desconhecimento, mas com o propósito de manter distante dos olhos e ouvidos dos cidadãos ocidentais a guerra civil ucraniana que, como todos sabemos, deflagrou em 2014 e provocou, até ao dia 24 de fevereiro de 2022, milhares de mortos e mais de 1 milhão de refugiados.

2 – Sean Penn, não sei das suas razões, esteve (ou está) na Ucrânia a fazer um documentário sobre a atual situação que se vive naquele país onde a guerra, depois da invasão russa, se alastrou a outros territórios ucranianos. Sean Penn atua como se tudo se tivesse iniciado a 24 de fevereiro pp, o que, para quem está informado como ele, é falacioso e parcial.

3 – Sean Penn fez uma birra para chantagear a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (Holywood) a aceitar que Volodomyr Zelensky pudesse falar durante a entrega dos óscares. Ao que parece a Academia não se vergou à chantagem de Sean Penn e Zelensky não vai ter a “deixa” para participar no espetáculo. A verificar-se que a Academia não cede à birra do ator aguardo para assistir à quebra, por Sean Penn, das duas estatuetas que lhe foram atribuídas, pela Academia, durante a sua carreira. Essa foi a ameaça do ator, espero que cumpra esta sua intimação.

A atitude de Sean Penn é, para mim, lamentável e incompreensível, pois, para além das suas qualidades como ator e realizador, que admiro, sempre considerei que ele era um ativista social e político que colocava rigor nas suas intervenções. Ao tomar esta atitude Sean Penn está a ser parcial e a demonstrar que está do lado da narrativa unilateral dos “bons e dos maus”, o que não serve o bem maior que é a PAZ, lamento profundamente que Sean Penn, como foi fazendo ao longo da vida, não tenha mantido distanciamento em relação à situação criada pela invasão russa e se empenhe em dar palco ao presidente ucraniano, como se sobre ele não recaíssem muitas dúvidas quanto ao seu papel neste conflito.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 27 de março de 2022


1 comentário:

Emilio Antunes Rodrigues disse...

Hollywood desempenha o papel de difusor da propaganda americana e muitos dos actores que ali desempenham um papel na ficção cinematográfica também desempenham outro no plano politico, se houve artistas perseguidos na caça às bruxas no tempo do Edgar Hoover, também por lá havia muta bufaria pidesca