segunda-feira, 15 de outubro de 2018

... da carência na TAP e na SATA

Foto by Aníbal C. Pires







Excerto de texto para publicação na imprensa regional e, como é habitual também aqui, no blogue momentos.









(...) As necessidades imediatas apontam para o recrutamento de 20 novos pilotos que tendo, ou não, qualificação (type rating), só estarão operacionais daqui a alguns meses, isto se a SATA Internacional/Azores Airlines ainda tiver alguma atratividade para captar o número de pilotos necessários para suprir a falta destes tripulantes. Vejam-se as dificuldades da TAP e procurem-se as razões para a recente saída de um grupo de pilotos da SATA Internacional que apesar do aliciamento de última hora, feito pela empresa, não voltaram atrás com a sua decisão. Se tomarmos em consideração estes e outros aspetos não será difícil inferir que a atratividade da SATA Internacional/Azores Airlines já não é o que era. (...)

sábado, 13 de outubro de 2018

Um não assunto, ou a silly season a fazer das suas - crónicas radiofónicas

Foto by Madalena Pires






Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM

Esta crónica foi para a antena a 21 de Julho de 2018 que pode ser ouvida aqui









Um não assunto, ou a silly season a fazer das suas

Foto by Aníbal C. Pires
Arranjar um assunto para conversar consigo no último fim de semana de Julho que não seja, de todo, uma futilidade, não é tarefa fácil. Não que os assuntos rareiem, não falta por aí animação, mas não sou muito dado a festas, sejam elas brancas ou às cores. Notícias dramáticas também abundam, seja na Região seja um pouco por todo o Mundo, mas também não sou muito dado a explorar as emoções para atrair a atenção, ou seja, esta coisa de que os factos são menos importantes do que as emoções, não é a minha praia. Isto não significa que não me emocione, ou que, por vezes, o que escrevo e digo seja pouco racional e resulte de um estado de alma que tenho necessidade de partilhar, assim como um grito sussurrado para o papel, ou melhor para um qualquer suporte digital  e, que se liberta e vai por aí parar às mãos de alguém, ou ao monitor de um smartphone ou de um computador pessoal, ou ainda, como é o caso, aos seus ouvidos. Não se preocupe hoje não vai acontecer nada disso, nem gritos, nem sussurros.
Sabe que, para mim, seria tão mais fácil escrever e falar sobre o que as pessoas querem e gostam de ouvir. Mais fácil e, sobretudo, mais popular. Não sigo esse caminho por não saber como se percorre, conheço-lhe todos os atalhos e encruzilhadas, mas porque não ficaria bem comigo mesmo.
Sim, eu sei que nada ganho com isso e terei sempre muita dificuldade em prender a atenção de quem me lê e ouve, mas tendo essa perceção, ainda assim, prefiro ficar com a minha consciência tranquila por não embarcar em facilitismos e populismos que não favorecem o pensamento crítico e a compreensão, o mais aproximada possível, da realidade que nos envolve e conforma.

Foto by Aníbal C. Pires
Tenho uma amiga que lê a generalidade dos textos que eu produzo, lê também os textos de um outro opinador da 105 FM, que escreve de forma invejável, e tem a seguinte opinião sobre os textos que produzimos: O que tu escreves obriga-nos a pensar, desperta em nós a curiosidade, os textos daquele teu amigo deixam-me de alma cheia, ainda que por vezes, quer um quer outro, invertam os papeis. Tu raramente abandonas a tua matriz dialética e mostras o teu outro lado, e o teu amigo, com mais frequência, atravessa a fronteira entre a abordagem da realidade e a prosa poética com que ele tão bem se expressa. 
E eu concordo, em absoluto, com ela, Assim é, sem que os textos do tal meu amigo sejam vazios de conteúdo, nada disso. É na forma como se abordam as questões que reside a diferença. Ele é um homem de fé, eu não a tenho. Tenho dúvidas, quiçá ele também, mas tem uma âncora de referência, Eu não. Eu ando por aí à deriva e quantas e quantas vezes a navegar contraventos e marés sem o amparo de um ancoradouro abrigado.
Não terá sido uma futilidade esta nossa conversa, já não estou tão seguro se afinal não se tratou de um grito sussurrado, ainda que tenha sido expresso com a voz firme e no tom adequado de modo a não ter necessidade de aumentar o volume do seu rádio para poder ouvir.

Bom fim de semana.
Fique bem eu volto, assim o espero, no próximo sábado.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 28 de Julho de 2018

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Uma herança cultural a rejeitar

Imagem retirada da Internet
A discussão sobre o assédio e os crimes de agressão sexual dominam, desde há longos meses, a agenda mediática e pública. Não é primeira vez que abordo este assunto e o que agora o motiva não tem nada, mas rigorosamente nada a ver com o recente e mediático episódio que envolve o Cristiano Ronaldo, embora o que tenho ouvido e lido sobre este caso em particular me deixe perplexo com a facilidade com que se condena ou iliba, quer um quer outro dos intervenientes.
No final de Setembro com base em dados divulgados pelo Ministério da Justiça (MJ) conheceu-se, com algum rigor, um facto que nos deve preocupar a todos. Apenas 37% dos autores de crimes por agressão sexual são condenados a prisão efetiva. Não vou desagregar nem esmiuçar os dados divulgados, esse trabalho foi feito pela comunicação social nacional.
No início do ano numa outra tribuna escrevi sobre as questões do assédio sexual e sobre os movimentos #MeToo e #TimesUp e coloquei algumas reservas sobre a forma como este assunto se estava a radicalizar, sem colocar em causa a importância da denúncia e a penalização do autor do assédio (homem ou mulher).
Imagem retirada da Internet
Quando tive conhecimento dos dados divulgados pelo MJ sobre as penas aplicadas aos agressores sexuais em Portugal, veja-se que neste caso não se trata apenas de assédio, mas de toda a gama de crimes de agressão sexual, não fiquei surpreendido pela leveza com que a justiça portuguesa penaliza estes crimes e, pensei cá para comigo, o Código Penal Português e quem o aplica refletem um pensamento, quiçá maioritário na sociedade, que se traduz na desculpabilização do agressor e, por conseguinte, na constatada impunidade que os dados do MJ, em minha opinião, vieram comprovar.
Estes dados e o pensamento que lhes confere “legitimidade” e aceitação social decorrem de uma herança cultural que, pensava eu, já estivesse diluída e apenas subsistisse numa pequena franja da sociedade portuguesa, mas não. Seja quem for o agredido há sempre uma corrente obsoleta e animalesca do pensamento que lhe atribui parte da culpa, ou seja, o cenário é montado de forma a que o agressor seja beneficiado por atenuantes que resultam de interpretações subjetivas do comportamento da vítima e das leituras, em minha opinião abusivas, que é feita no julgamento popular, mas também nos tribunais.
E se alguns dos crimes de agressão sexual decorrem de comportamentos patológicos, nem todos aqui são enquadráveis, muitos deles resultam da ancestral aceitação de comportamentos que conformam agressões sexuais e, sobre os quais continua a existir, eu diria, indiferença social que acaba por se transformar numa tácita desculpabilização dos agressores.
Temos um longo caminho a percorrer para que esta e outras heranças culturais se diluam na construção do ser social que tanto nos esforçamos por ser.
Ponta Delgada, 09 de Outubro de 2018

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 10 de Outubro de 2018

... da aceitação

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Excerto de texto para publicação na imprensa regional e, como é habitual também aqui, no blogue momentos.




(...) Quando tive conhecimento dos dados divulgados pelo MJ sobre as penas aplicadas aos agressores sexuais em Portugal, veja-se que neste caso não se trata apenas de assédio, mas de toda a gama de crimes de agressão sexual, não fiquei surpreendido pela leveza com que a justiça portuguesa penaliza estes crimes e, pensei cá para comigo, o Código Penal Português e quem o aplica refletem um pensamento, quiçá maioritário na sociedade, que se traduz na desculpabilização do agressor e, por conseguinte, na constatada impunidade que os dados do MJ, em minha opinião, vieram comprovar. (...)

Não era fácil, mas aconteceu

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Entre dois dos temas que tinha alinhado para hoje, a impunidade dos agressores sexuais e as eleições presidenciais no Brasil, escolho o ato eleitoral brasileiro sobre o qual, de momento, ainda não se conhecem resultados, mas as primeiras projeções apontam para uma segunda volta entre o candidato da extrema direita e o candidato apoiado pelo PT e pelo PCdoB. Este é um cenário que Bolsonaro não deseja, mas é o quadro que mantém a esperança de que o Brasil não seja entregue ao representante dos setores mais retrógrados da sociedade brasileira e que a frágil democracia daquele país possa sobreviver. Sim, é disso que se trata da defesa da democracia.
O Brasil é um país que tem dimensão e recursos, naturais e humanos, para garantir ao seu povo a dignidade que lhe tem sido confiscada por uma elite que é herdeira da estrutura colonial que cultiva a supremacia de um grupo humano sobre outros grupos humanos e, julgo que não será necessário elencar os atributos do candidato que representa esse pensamento para, nesta primeira volta, os cidadãos brasileiros terem votado em qualquer outro candidato.
Se as projeções se vierem a confirmar, Bolsonaro e toda a estratégia orquestrada, interna e externamente, para o colocar no poder sofrem uma derrota e fica aberto o caminho para que o povo brasileiro acabe com este pesadelo que não se confina às fronteiras do Brasil.
O crescimento eleitoral de personalidades e forças políticas ideologicamente próximas, ou mesmo assumidamente confessas da supremacia de um grupo humano sobre outros é, num olhar breve, inexplicável e levanta, desde logo, a questão, Será que não aprendemos nada com a história do Século XX. Mas se o olhar pousar sobre as raízes desse crescente apoio eleitoral, então talvez não seja assim tão difícil de entender, embora não deixe de ser paradoxal, pois esse apoio cresce entre as suas próprias vítimas, ou seja, as populações mais fragilizadas social e economicamente e, muitas vezes, desprovidas de direitos básicos, como por exemplo o direito ao trabalho. Mas este é um assunto que merece uma abordagem própria e hoje interessa-me olhar para o Brasil.

Imagem retirada da Internet
Quando iniciei este texto tratava-se de um desejo, mas a esperança é já uma realidade. Os eleitores brasileiros ditaram uma segunda volta nas presidenciais brasileiras. O tal cenário que os mandantes de Bolsonaro não queriam e que o próprio tanto temia, O debate democrático. Se até agora o candidato da extrema direita fugiu ao debate e se escondeu nas redes sociais para evitar o confronto de ideias, de projetos e programas, como principal estratégia eleitoral, a partir de agora não será mais possível, sob pena de a sua candidatura se esboroar junto da maioria do eleitorado por falta de comparência.
A segunda volta das presidenciais brasileiras é um fracasso de Bolsonaro e da estratégia dos seus mandantes, por outro lado mantém as portas abertas para que a derrota total possa ser confirmada no dia 28 de Outubro pois, no debate público Bolsonaro não tem o que dizer a não ser as suas conhecidas atoardas racistas, sexistas, homofóbicas, ou a sua conhecida proposta para reduzir o número de pobres, ou seja, esterilizando-os para não proliferarem.
As próximas semanas serão de trabalho árduo para todos quantos no Brasil querem afastar o espectro de um ditador sentado no Palácio do Planalto.
Ponta Delgada, 07 de Outubro de 2018

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 08 de Outubro de 2018

terça-feira, 9 de outubro de 2018

... dos paradoxos


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Excerto de texto para publicação na imprensa regional e, como é habitual também aqui, no blogue momentos.





(...) O crescimento eleitoral de personalidades e forças políticas ideologicamente próximas, ou mesmo assumidamente confessas da supremacia de um grupo humano sobre outros é, num olhar breve, inexplicável e levanta, desde logo, a questão, Será que não aprendemos nada com a história do Século XX. Mas se o olhar pousar sobre as raízes desse crescente apoio eleitoral, então talvez não seja assim tão difícil de entender, embora não deixe de ser paradoxal, pois esse apoio cresce entre as suas próprias vítimas, ou seja, as populações mais fragilizadas social e economicamente e, muitas vezes, desprovidas de direitos básicos, como por exemplo o direito ao trabalho. (...)

sábado, 6 de outubro de 2018

A atualidade e o antidogmatismo da teoria marxista - crónicas radiofónicas

Imagem retirada da Internet






Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM

Esta crónica foi para a antena a 21 de Julho de 2018 que pode ser ouvida aqui





A atualidade e o antidogmatismo da teoria marxista

Um pouco por todo o Mundo, com maior ou menor expressão pública e mediatismo, em 2018, assinala-se o bicentenário do nascimento de Karl Marx.
Em Portugal o PCP um pouco por todo o território nacional tem promovido um conjunto de iniciativas para assinalar, por um lado II Centenário do nascimento de Karl Marx, mas também com o intuito de divulgar a atualidade do seu pensamento, a sua obra e combater algumas ideias preconcebidas sobre a teoria marxista. Teoria que pela sua própria natureza materialista e dialética é antidogmática, ou seja, não se cristaliza em conceitos abstratos e intemporais, é expressão do próprio movimento da sociedade, enriquece-se constantemente com os progressos da ciência e a ação e reflexão do movimento comunista e revolucionário internacional.

Foto by Aníbal C. Pires
A Organização Regional da Região Autónoma dos Açores do PCP, no âmbito das atividades que assinalam o II Centenário do nascimento de Karl Marx, promove uma exposição, entre 20 e 31 de Julho, na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, sobre a vida e obra de Karl Marx.
Estas iniciativas visam contribuir para que o conhecimento da obra de Karl Marx possa sair da opacidade em que nas últimas décadas a tentaram mergulhar com o propósito de esconder um pensamento e entendimento do Mundo que, quer se queira quer não, quer se goste quer não, está na origem das grandes transformações e avanços sociais que marcaram o século XX.
Álvaro Cunhal num texto sobre a passagem dos 150 anos do Manifesto Comunista (de Marx e Engels), em 1998, é claro quanto à atualidade da teoria marxista e à sua natureza antidogmática e passo a citar, “O Manifesto Comunista é um extraordinário libelo acusatório contra o capitalismo.
Não apenas indicando a situação da classe operária e das massas trabalhadoras: os salários injustos, o desemprego, o tempo e intensidade de trabalho, as discriminações e falta de direitos da mulher, o trabalho infantil, os problemas da habitação e da saúde, o alastramento da pobreza e da miséria. Não apenas apontando medidas necessárias de carácter imediato. Mas também desvendando a natureza e as leis do capitalismo e apontando a necessidade e possibilidade histórica de superá-lo.” Fim de citação.
O tempo tem vindo a demonstrar que esta é uma realidade cada vez mais dramática e que se acentuou com mais uma das cíclicas crises do capitalismo que Marx identificou e referiu como sendo uma das suas caraterísticas intrínsecas.
Quanto ao caráter antidogmático da teoria marxista diz, no mesmo texto, Álvaro Cunhal – “ As teorias de Marx e Engels, das quais o Manifesto Comunista faz uma primeira síntese, revolucionaram o pensamento e as sociedades no século XX.
A sua expansão mundial foi possível por explicar o que até então não tinha explicação. Sobre a relação do ser humano com a natureza que o envolve. Sobre as contradições e história das sociedades. Sobre a economia capitalista e suas leis. Sobre a atualidade da construção revolucionária de uma nova sociedade. Porque científicas e dialéticas, teorias abertas à reflexão e contrárias à própria cristalização.
Foto by Aníbal C. Pires
As conquistas das ciências, as transformações provocadas pelas novas tecnologias, a internacionalização a nível mundial dos processos produtivos, as alterações na composição do proletariado, obrigaram e obrigam a novas respostas e a um novo rigor dos princípios teóricos.
Curioso que certos estudiosos, quando falam do marxismo, investigam o pensamento de Marx antes de este ter formulado as grandes conclusões teóricas. Ou seja: de quando Marx ainda não era marxista. O marxismo há que considerá-lo em movimento, acompanhando a vida.” Fim de citação.
Esta iniciativa para além de celebrar o bicentenário de Karl Marx, tal como já referi, pretende desconstruir a ideia de que a teoria marxista está ultrapassada, nada mais contraditório. Uma teoria que assenta os seus fundamentos no materialismo dialético  que, em si mesmo rejeita as verdades absolutas e confia no conhecimento científico não perde atualidade e muito menos se extingue, embora essa seja a vontade de quem mantém a opressão sobre os povos e é responsável pela recrudescimento de hodiernas formas de exploração, mas que não deixam, essas sim, de serem tão velhas nos princípios como os que norteiam a atual e globalizada exploração capitalista.

Fique bem.
Eu voltarei, assim o espero, no próximo sábado.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 21 de Julho de 2018

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Nota negativa para a SREC

Foto by Aníbal C. Pires
Nem só de obras necessita a Educação. Sim porque essas, as obras, vão-se concretizando com mais ou menos atraso, ou com prioridades que ninguém entende. São Escolas novas, manutenções e requalificações de edifícios escolares, muitos milhões de euros que nem sempre correspondem às necessidades, não por ser insuficiente o investimento, mas porque os destinatários e utilizadores, ou seja, os principais interessados constatam que afinal os projetos concretizados nem sempre, não é grande novidade, são adequados às necessidades e o produto final resulta em espaços mal dimensionados para a função e, espaços sem função. As opções parecem satisfazer os projetistas e construtores, mas deixam muito a desejar quanto à funcionalidade e utilidade a que se destinam.
Mas não é de uma avaliação aos investimentos em infraestruturas escolares de que se trata esta breve reflexão sobre a Educação na Região. Nem esta abordagem poderá ser muito exaustiva, uma vez que se trata de uma coluna de opinião limitada pelo espaço.
Assim, deixo apenas alguns exemplos para sustentar o título com que designo este texto.
Não sei de onde partiu a orientação, mas ela chegou aos departamentos curriculares vinda do órgão pedagógico das Escolas, logo terá tido a sua origem na tutela. Possivelmente não se encontrará reduzida a escrito em nenhum documento emanado da SREC/DRE/ProSucesso, pois contraria tudo, mas mesmo tudo o que é princípio pedagógico, tendo em consideração que os percursos educativos podem e devem ser diferenciados e adaptados à realidade de cada Escola, de cada Turma e de cada aluno. Pois bem a orientação que foi dada aos docentes do ensino básico resume-se ao seguinte: “As aulas têm que ser planificadas com base nas competências essenciais, esqueçam o programa da disciplina, pois as provas são feitas com base nas aprendizagens essenciais.” E pergunta o leitor, o aluno o pai e o cidadão, Quais provas. E digo eu, por exemplo provas de aferição realizadas a meio dos ciclos de ensino básico e cuja utilidade é, como está bom de ver, nenhuma, para além do facto de serem contranatura, uma vez que a organização por ciclos de ensino tem como objetivo respeitar, por um lado a gestão pedagógica das Escolas e dos docentes e, por outro os próprios ritmos de aprendizagem dos alunos. Acresce ainda que as provas não são regionalizadas. Dir-me-ão, E muito bem se somos um país para quê provas diferentes. E eu dir-lhe-ei sem ter de discorrer sobre a defesa da autonomia regional, mas, mal ou bem, na Região a partir dos consulados do PS Açores foram introduzidas alterações curriculares e no modelo de avaliação no Ensino Básico, ou seja, para o melhor ou para o pior, existem diferenças entre a organização curricular do Ensino Básico na Região e a organização curricular nos Ensino Básico no território continental. Logo, não faz sentido que quer as provas quer a elencagem das “aprendizagens essenciais” chegue às escolas da Região com o timbre do Ministério da Educação, aliás esta prática começa a ser comum o que leva os educadores e professores a questionarem-se, cada vez mais, sobre a utilidade da Secretaria Regional da Educação. Este exemplo leva-me a afirmar o seguinte: Nem no tempo dos governos do PSD Açores. Nunca pensei vir a dizê-lo e muito menos deixá-lo escrito. Mas na verdade na década de 80 a Direção Regional de Orientação Pedagógica (DROP), alguns docentes ainda se lembram deste acrónimo, nas escolas costumava brincar-se com a utilidade da DROP que, ao contrário da Direção Regional da Administração Escolar (DRAE) que na sua intervenção sempre discriminou positivamente os trabalhadores docente e não docentes, mas como dizia a DROP pouco mais fazia do que substituir, nas orientações que enviava para as escolas, o timbre do Ministério da Educação pelo seu.

Foto by Aníbal C. Pires
Para reforçar a inoperância da SREC e da sua direção regional para os assuntos da Educação ficam mais estes exemplos.
- um défice de pessoal auxiliar que é suprido com recurso a desempregados em programas ocupacionais, muitos deles sem qualquer formação para o exercício das funções, facto que claramente diminui a qualidade do apoio;
- subfinanciamento dos orçamentos das Unidades Orgânicas; e
- graves carências na formação, por falta de financiamento, de pessoal docente e não docente.
A lista é como uma história interminável, mas este espaço é finito. Posso não ter escolhido os melhores exemplos, mas com estes posso, seguramente, atribuir nota negativa à SREC.

Ponta Delgada, 02 de Outubro de 2018

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 03 de Outubro de 2018

terça-feira, 2 de outubro de 2018

... da inutilidade

Foto by Aníbal C. Pires





Excerto de texto para publicação na imprensa regional e, como é habitual também aqui, no blogue momentos.






(...) Acresce ainda que as provas não são regionalizadas. Dir-me-ão, E muito bem se somos um país para quê provas diferentes. E eu dir-lhe-ei sem ter de discorrer sobre a defesa da autonomia regional, mas, mal ou bem, na Região a partir dos consulados do PS Açores foram introduzidas alterações curriculares e no modelo de avaliação no Ensino Básico, ou seja, para o melhor ou para o pior, existem diferenças entre a organização curricular do Ensino Básico na Região e a organização curricular nos Ensino Básico no território continental. Logo, não faz sentido que quer as provas quer a elencagem das “aprendizagens essenciais” chegue às escolas da Região com o timbre do Ministério da Educação, aliás esta prática começa a ser comum o que leva os educadores e professores a questionarem-se, cada vez mais, sobre a utilidade da Secretaria Regional da Educação. (...)

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

De novo, apenas a liderança

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O PSD Açores tem um novo Presidente. Não tinha nenhum prognóstico, logo não fui surpreendido pelo resultado, nem a minha opinião interessaria aos militantes do PSD, aliás mais do que a personalidade que vai assegurar a liderança do PSD Açores, julgo que não será por muito tempo não por qualquer demérito do Alexandre Gaudêncio, mas pela natureza depredadora de lideranças que é intrínseca ao PSD, mas como dizia mais do que saber quem lidera interessa-me conhecer o seu projeto político, o projeto do PSD, não do líder, afinal o PSD já governou na Região e na República, alternando com o PS, e, como tal, tenho interesse em perceber o que vai mudar, se é que alguma coisa vai mudar. Aguardo pelo congresso do PSD Açores para, então sim, conhecer como os “sociais democratas” açorianos avaliam a atual situação política, social, cultural e económica da Região, a que se propõem para resolver as questões que identificarem e, sobretudo, o que os pode diferenciar do seu gémeo político sem “D”, o PS.

Imagem retirada da Internet
Há, contudo, alguns aspetos que sendo exclusivamente da vida interna do PSD, vão alimentar as conversas de corredor, de café, da soleira da porta, ou para quem prefere o sossego do sofá e a interação virtual, muitas vezes sobre a capa anonimato garantido por falsos perfis e pouca coragem, opta pelas publicações e comentários nas redes sociais, é mais cómodo e, sobretudo, um exercício espúrio que pouco, ou nada, se assemelha ao exercício da cidadania e da participação cívica e política, sem o recurso a subterfúgios, a que todos temos direito e que temos o dever de exercer.
Alguns desses temas marginais já começaram a ser objeto de alguma especulação e vão aprofundar-se mantendo a turba entretida e esperançada de que este, aquele e o outro militante, pela aposta no candidato errado, tendo garantido compromissos para o seu futuro político próximo, seja banido e os seus interesses colocados em causa pela nova liderança. Ou seja, reduzindo a construção de um projeto político a, como já disse, assuntos marginais centrados em pessoas e quezílias pessoais.
Transformar e aceitar tranquilamente que, qualquer que seja a organização partidária, a discussão “política” se resuma à dança de cadeiras e cargos partidários tem sido prática que alimenta a agenda mediática e popular. Enquanto isso o essencial vai passando ao lado de quem perde tempo e reduz a discussão, apenas e só, a estas questões que, sejamos pragmáticos, nada acrescentam aos projetos políticos. Não quero, não é essa a ideia, retirar a importância que as personalidades têm nas organizações, sejam elas partidárias ou não.
As caraterísticas e contributos individuais são importantes se potenciadas para a construção de projetos coletivos, no caso dos projetos de índole política existem ainda outros fatores, alguns deles exógenos às organizações partidárias, mas que integram a sua natureza orgânica e ideológica que contribuem para a construção dos seus projetos políticos que, bem vistas as coisas, pouco mudam a não ser no “upgrade” semântico. Mas ainda quanto à importância das personalidades que lideram as organizações. Há quem consiga ser mobilizador e juntar vontades e há quem, de todo, não o seja. Depende da personalidade, mas a mobilização e a agregação de apoios fazem-se, ou deviam fazer-se, à volta de projetos. Isto se cada um de nós quiser contribuir para o interesse público, independentemente dos caminhos que consideramos ser mais acertados para o servir. Se a ideia é retirar dividendos pessoais então que se discutam as personalidades que lideram e as que aclamam o líder.
A realização de eleições para as lideranças partidárias, fora do contexto do congresso, retira à realização da reunião magna partidária grande parte do seu objetivo e reduz a importância dos projetos dos seus projetos políticos. Dirão os eleitores que esta minha opinião se deve à minha opção ideológica e à natureza do partido onde milito, Sem dúvida. Mas esta opinião é partilhada por um número crescente de militantes de partidos que optaram pela eleição direta dos seus líderes, o que não deixa de ser interessante e deveria ser motivo de reflexão interna nos partidos em que a prática é essa.
Ponta Delgada, 30 de Setembro de 2018

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 01 de Outubro de 2018