terça-feira, 6 de março de 2018
... do presente e do futuro
Excerto de texto a publicar amanhã na imprensa regional e aqui, no blogue momentos
(...) O papel do PCP na atualidade política nacional, por mais que se pretenda diminuir, tem sido e continuará a ser o garante da defesa dos trabalhadores e do povo português, foi com a iniciativa e o contributo do PCP que se abriu caminho a uma solução governativa que colocou um ponto final na continuidade das políticas com que o PSD e o CDS/PP delapidaram o país, desvalorizaram os trabalhadores e abandonaram o nosso povo à sua sorte. Foi com o contributo e a iniciativa do PCP, não tenhamos ilusões por mais ilusionistas que por aí pululem, que se deu início ao processo de reposição direitos e rendimentos, com os efeitos, diretos e indiretos, que são comprovados pela melhoria dos indicadores sociais e económicos que, apesar dos esforços da direita para os menorizar, são reconhecidos interna e externamente. (...)
segunda-feira, 5 de março de 2018
Os atalhos da privatização
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| Imagem retirada da Internet |
A Portugal Telecom(PT) foi fundada em 1994 juntando a TP, TLP e a TDP, em 1995, ano em que foi objeto da primeira fase de privatização, tinha também absorvido a Rádio Marconi. Seguiram-se uma segunda (1996), uma terceira (1997), uma quarta 1999) e uma quinta fase de privatização (2000). No fim deste processo, que não ficou por aqui, restavam ao Estado português 500 ações Golden Share. Ações entregues em 2011, digamos a preço de saldo, aos acionistas privados. Nada disto será novidade e a estória com todos os pormenores é, no essencial, do domínio público e, como tal, não vou perder tempo a transcrever todos os detalhes.
Chegados aqui importa saber às mãos de quem foi parar a maior operadora de telecomunicações do país, empresa líder de mercado na televisão por cabo, operadora única da TDT, detentora da rede de fibra ótica nacional e, também do SIRESP. Pois é, a multinacional ALTICE, dona da PT, até controla o sistema nacional de comunicações de emergência. Ou seja, a PT uma empresa nacional e estratégica no plano das telecomunicações foi parar às mãos do capital apátrida, cujo objetivo não é certamente satisfazer os interesses nacionais.
Os processos de privatização por muito que se anunciem transparentes têm destas coisas, há sempre uns atalhos que escapam às nobres declarações de princípio e o desfecho é sempre o mesmo. Não sei porquê veio-me agora à lembrança o caso dos CTT, outro exemplo, aos quais se podem juntar outros, de delapidação do património nacional sem que daí tenha resultado o que quer que seja de bom para os portugueses e para Portugal. O país vai empobrecendo e os oligopólios financeiros engordando e, sobretudo, controlando aquilo que devia ser controlado pelo povo português.
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| Imagem retirada da Internet |
Julgo que está bom de ver que esta concentração de poder, domínio das principais plataformas mediáticas e o poder quase absoluto nas telecomunicações, podem ter como resultado várias implicações e condicionalismos que em nada favorecem a liberdade de informação e, em última instância, o próprio regime democrático. Esta questão não é um negócio privado no qual não somos tidos nem achados. Esta é uma questão de interesse público à qual não podemos, nem devemos ficar indiferentes.
Ponta Delgada, 04 de Março de 2018
Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 05 de Março de 2018
... da privataria
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| Foto by Madalena Pires (S. Miguel, 2017) |
Fragmento de texto a publicar amanhã na imprensa regional e também aqui, no momentos
(...) Chegados aqui importa saber às mãos de quem foi parar a maior operadora de telecomunicações do país, empresa líder de mercado na televisão por cabo, operadora única da TDT, detentora da rede de fibra ótica nacional e, também do SIRESP. Pois é, a multinacional ALTICE, dona da PT, até controla o sistema nacional de comunicações de emergência. Ou seja, a PT uma empresa nacional e estratégica no plano das telecomunicações foi parar às mãos do capital apátrida, cujo objetivo não é certamente satisfazer os interesses nacionais.
Os processos de privatização por muito que se anunciem transparentes têm destas coisas, há sempre uns atalhos que escapam às nobres declarações de princípio e o desfecho é sempre o mesmo. Não sei porquê veio-me agora à lembrança o caso dos CTT, outro exemplo, aos quais se podem juntar outros, de delapidação do património nacional sem que daí tenha resultado o que quer que seja de bom para os portugueses e para Portugal. O país vai empobrecendo e os oligopólios financeiros engordando e, sobretudo, controlando aquilo que devia ser controlado pelo povo português. (...)
sábado, 3 de março de 2018
Tentativa frustrada - crónicas radiofónicas
| Foto by Madalena Pires (algures no Sahara, Fev. 2018) |
Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105FM
Hoje fica o texto da crónica emitida a 23 de Dezembro de 2017 que pode ser ouvida aqui
Tentativa frustrada
De ano para ano, de Natal para Natal tenho mais dificuldade em formular votos de um Bom Natal e de prosperidade para o novo ciclo temporal que se inicia por estes dias. Não porque não o deseje e sinta, mas porque as palavras que trocamos por estes dias e os comportamentos assumidos perante os outros são de mera circunstância e, ainda que tenha uma esperança inabalável num Mundo melhor, constato a cada Natal que o Mundo não está melhor.
É incontornável, mas tenho-o evitado. Esta tentativa de fuga, Sim trata-se uma tentativa pois, daqui a pouco soarão as palavras mágicas e que todos esperam ouvir. Mas, como lhe dizia, esta minha escusa ao que é comum tem razões e, não são as razões que a razão desconhece existe uma razão para esta minha recusa e que tentarei, mais adiante justificar.
Já o escrevi e publiquei onde habitualmente partilho algumas considerações com quem ainda lê e cultiva a reflexão crítica. Compartilhar. Esse é o objetivo, se o alcanço, ou não só mesmo os ouvintes e leitores o poderão dizer. Alguns dizem que sim, outros que nem por isso, outros são liminarmente contra. Contra o que quer que seja e, outros ainda, não dizem nada, mas vão ouvindo e lendo. O que, em si mesmo, é bom. Não porque o texto nasceu aqui deste lado e as palavras são minhas, mas porque alguém se apropria delas, ouvindo, lendo e ajuizando como muito bem entender. E, é nesse momento que as palavras ganham importância. Até agora não tinham importância, eram apenas minhas, estas palavras, Palavras por vezes sem nexo e à procura mais de uma lógica, que do formalismo linguístico que as ordena lhes dá sentido e rigor, isto tudo sem deixar, porém, de ter em vista uma ética social e política de intervenção para elas, estas e as palavras que se vão seguir.
Mais um Natal… e o Mundo não melhorou. O Mundo desde o último Natal, aquele Natal em que formulámos votos de renovada esperança num Mundo melhor, piorou. Foi o nosso Mundo que piorou não aquele Mundo distante chamado por vezes de Terceiro Mundo. O Mundo dos países pobres ou em desenvolvimento. Não, Não foi esse Mundo foi o nosso Mundo que piorou. Os outros Mundos, que há alguns Natais se afiguravam tão remotos, não têm como piorar. Como poderiam esses Mundos piorar se os seus cidadãos estão há séculos parados no limiar da dignidade humana, impedidos por uma qualquer barreira física ou virtual de passarem o patamar que lhes dá entrada num Mundo onde os desperdícios são uma obscenidade.
O Mundo não melhorou apesar de todos os votos repetidos a cada ano, apesar das promessas que recheiam os discursos da quadra natalícia o Mundo está mais igual na desumanidade que flagela os povos quer sejam do Norte rico ou, do pobre Sul. O Mundo está mais igual na desgraça que graça pelo Mundo.
A esperança sendo velha como o tempo continua inabalável na confiança que tenho no futuro. O nosso futuro coletivo pode ser melhor. E é por isso que lhe desejo um Feliz Natal e os votos de Boas Festas, para si e para todos os nossos concidadãos que partilham o nosso tempo e a nossa casa comum. Faço-o com a consciência que para todos nós podermos aceder ao padrão mínimo daquilo que consideramos serem umas Boas Festas não nos podemos ficar apenas pelo desejo que um dia isso venha a ser possível. Temos de ir mais além e não nos quedarmos apenas pelo espírito natalício.
Tenha um Feliz Natal.
Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 23 de Dezembro de 2017
sexta-feira, 2 de março de 2018
Ainda os 10 anos do momentos
Belly dance nos 10 anos do momentos
momentos - 10 anos na blogosfera
No dia 02 de Março de 2008 nasceu este blogue, a estória que
lhe está na origem pode ser lida aqui
O momentos é um blogue pessoal e generalista e que não tem
outras pretensões a não ser de produzir um espaço de divulgação. A partilha de
opinião, o gosto e as preferências do autor são a sua essência. E o autor continua
satisfeito com este seu espaço.
Talvez necessite de uma reformulação que o torne mais
dinâmico e atrativo, Tem razão quem me tem transmitido essas sugestões e
críticas. E assim será quando tempo houver.
quinta-feira, 1 de março de 2018
Gugu Mbatha-Raw - a abrir Março
Para abrir este Março tempestuoso o momentos traz a serena beleza de Gugu Mbatha-Raw
e, com ela, o desejo de que o mês da Primavera seja de renovação de esperanças e de concretização dos vossos sonhos.

Com os votos de um excelente mês de Março que é da Primavera, mas também do blogue momentos que amanhã (dia 2) comemora 10 anos de existência.
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
Um aparente consenso
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| Imagem retirada da internet |
Embora em relação à Associação de Turismos dos Açores (ATA), e na sequência da pergunta de um jornalista, se perceba o que espera o sector privado. Segundo Mário Fortuna, um indefetível das virtualidades do mercado, a saída de capitais públicos da ATA (quer as participações da Região, quer as do Grupo SATA), deixa esta associação sem financiamento e só com a celebração de um contrato programa de médio longo prazo é possível a assunção desta organização pelos privados. Nem mais, a ATA para o domínio privado sim, mas com o necessário financiamento público para continuar a divulgar o destino Açores e a celebrar contratos, aos milhões, com transportadoras aéreas privadas de baixo custo.
Mas o apoio a este anúncio do Governo Regional é mais ou menos generalizado entre os parceiros sociais, ainda que com críticas consoante o interesse político imediato ou mais refletido conforme a matriz ideológica onde se enquadram.
Os trabalhadores e os sindicatos estão preocupados com a manutenção dos postos de trabalho, alguns partidos concordam com parte das decisões anunciadas, discordam de outras e, até consideram que se fica aquém daquilo que seria desejável, outros focam-se no que afirmam ser a fuga para a frente do Governo Regional e do PS agora que a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), potestativamente, criou uma Comissão Eventual de Inquérito para avaliar o estado do SPER, ou ainda que o Governo Regional navega sem rumo.
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| Imagem retirada da internet |
Esta decisão do Governo Regional, com as suas insuficiências, vem dar razão a quem sempre defendeu que a criação de empresas públicas como a Saúdeaçor, a SPRHI, a Azorina, as Ilhas de Valor e a SDEA, de entre outras, serviram para que o Governo Regional se demitisse das suas responsabilidades políticas, em áreas tão importantes como a saúde, o ambiente, a coesão e a atração de investimento, bem assim como ao controle democrático da ALRAA. Por outro lado, algumas das medidas anunciadas pecam por tardias e refletem o grau de autismo político que tem caraterizado o PS Açores, desde o limiar do milénio. Foi agora, mas as oposições, com objetivos diferentes, já há muito que o exigiam. Esta pitoresca prática do PS Açores chega a ser politicamente ridícula. Alguns episódios parlamentares que caricaturam esta prática, de ignorar, desvalorizar e chumbar as iniciativas das oposições, para mais tarde assumir como sendo suas, são bem exemplificativos de uma perigosa deriva autoritária que se tem vindo perigosamente a manifestar na incapacidade de diálogo e numa crescente arrogância política do PS Açores.
O consenso, aparente diria eu, que se gerou à volta deste anúncio do Governo Regional necessita de uma avaliação mais detalhada que deve ser patrocinada, desde logo, pelos partidos políticos com assento parlamentar. Subsistem, porém, algumas dúvidas sobre a legitimidade democrática desta decisão do Governo Regional que os eleitores, em particular os cidadãos que deram o seu apoio eleitoral ao PS Açores, devem procurar esclarecer junto do PS e do Governo Regional. Estas medidas, agora anunciadas, não constavam do programa eleitoral que foi sufragado. É certo que a medida 2, do objetivo 4, do capítulo 1.2, do programa eleitoral do PS Açores, se refere concretamente à definição de estratégias, e consequente concretização, do processo de alienação das participações no SPER. Mas não é menos verdade que o PS Açores, durante a campanha eleitoral, sempre fugiu a este debate.
Ponta Delgada, 27 de Fevereiro de 2018
Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 28 de Fevereiro de 2018
terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
... privatizar sim, mas
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| Foto by Madalena Pires, 2017 |
Fragmento de texto a publicar amanhã na imprensa regional e também aqui, no momentos
(...) Embora em relação à Associação de Turismos dos Açores (ATA), e na sequência da pergunta de um jornalista, se perceba o que espera o sector privado. Segundo Mário Fortuna, um indefetível das virtualidades do mercado, a saída de capitais públicos da ATA (quer as participações da Região, quer as do Grupo SATA), deixa esta associação sem financiamento e só com a celebração de um contrato programa de médio longo prazo é possível a assunção desta organização pelos privados. Nem mais, a ATA para o domínio privado sim, mas com o necessário financiamento público para continuar a divulgar o destino Açores e a celebrar contratos, aos milhões, com transportadoras aéreas privadas de baixo custo. (...)
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