segunda-feira, 9 de abril de 2018

Sobre Lula da Silva

Imagem retirada da Internet

Sobre a condenação de Lula apenas direi que foi afastado o candidato presidencial que mais apoio popular reunia e que após a prisão a bolsa no Brasil fechou em alta. O objetivo do golpe foi consumado.

Agora deixo-vos aqui as provas que o condenaram e o levaram à prisão elencadas por um cidadão brasileiro.



Fim da linha pra você, ex - presidente ladrão
mesmo sem provas
bato panelas
em prol da sua condenação
isso é pra você aprender
que o pobre não tem direito a mais que uma refeição

Fim da linha pra você, metalúrgico boçal
isso é pra você aprender
a nunca mais fazer assistência social
com meu dinheiro
e nem se atrever a transformar em engenheira
a filha do pedreiro

Fim da linha pra você ex presidente aleijado
não é pelo triplex
que você está sendo condenado
é pela sua ousadia
em ajudar o garçom
a virar advogado
em contribuir
pra ascensão do negro favelado
que agora acredita
que pode estudar medicina
sair da miséria
e até conhecer a Capela Sistina

Fim da linha pra você, ex presidente bandido
isso é pra você aprender
que o nordeste deve voltar a ser esquecido
e que saúde e educação
é pra quem pode
e não pra quem quer

Fim da linha pra você, semi analfabeto atrevido
graças a sua insensatez
o filho da faxineira
chamou o meu filho de amigo
você está sendo condenado
pela sua falta de noção
de achar que pobre é gente
que agora pode usar aparelho nos dentes
ter casa própria e andar de avião

Fim da linha pra você, ex presidente imundo
isso é pra você parar com essa palhaçada
de estimular a minha cozinheira
a querer ter carteira assinada
era só o que me faltava
o proletariado sonhar com qualidade de vida
você devia saber
que essa gente nasceu pra me servir
e não pra servida
mas você é tão inconsequente
não enxerga um palmo diante do nariz
que fez a babá do meu caçula
sonhar que pode estudar pra ser atriz
e fazer aula de inglês
essa pouca vergonha
é resultado
da sua insensatez
da sua irresponsabilidade desmedida
aprenda de uma vez
barriga vazia
e bala perdida
fazem parte do cotidiano
dessa gente bronzeada
foi querer mudar o mundo
se meteu numa enrascada

Fim da linha pra você, ex presidente imbecil
você está sendo condenado
não por ter roubado
porque isso não foi provado
seu erro
foi fazer história
ser do tamanho do Brasil
ter oitenta por cento de aprovação popular
acreditar em igualdade
e saber governar.

FIM DA LINHA PRA VOCÊ, EX-PRESIDENTE LADRÃO,

Por: Herton Gustavo Gratto

Transportes aéreos I - Revisão das OSP

Foto by Aníbal C. Pires
Dou hoje início ao levantamento, ainda que não exaustivo, de algumas questões que irão influenciar a curto prazo alterações ao modelo de transportes aéreos na Região e outras que se constituem como preocupações localizadas, mas que não deixam de ser um problema regional, o Grupo SATA será também motivo de alguma atenção.
 Os transportes aéreos e marítimos são um instrumento estratégico numa região arquipelágica como a nossa. Nada de novo, mas os passados 500 anos de povoamento, uma revolução industrial, o derrube da monarquia, a Revolução de Abril que colocou um ponto final na ditadura, a consagração da autonomia regional e a revolução científica e tecnológica, a verdade é que os transportes continuam a ser um problema regional por resolver.
Somos 9 ilhas numa vasta área oceânica que dependem de ligações regulares e fiáveis, quer no interior da Região, quer nas ligações com o exterior, desde logo para garantir a mobilidade e o direito ao não isolamento, mas também para que o comércio interno se possa desenvolver, contribuindo assim para a redução das importações. Ou seja, para que a economia regional possa crescer e fortalecer-se, por outro lado as ligações aéreas com o exterior que desde 2015 foram alteradas com a liberalização das rotas da Terceira e de S. Miguel e a implementação de um novo modelo de Obrigações de Serviço Público, tão a contento de alguns, porém o tempo tem vindo a demonstrar que o modelo atualmente vigente não é o mais adequado às necessidades regionais, isto para além de os custos públicos terem aumentado substantivamente deitando por terra a premissa que sustentou esta opção política negociada entre o Governo Regional e o Governo da República, ou seja, que não haveria aumento de custos pois o mercado e a competitividade fariam com que os custos públicos caíssem para valores inferiores a 16 milhões de euros, valor do custo anual pelo anterior modelo de transportes aéreos de e para Região. 
Quanto aos transportes marítimos que assegurem uma eficaz ligação (durante todo o ano entre todas as ilhas) muito está ainda por fazer. Não vou aprofundar esta questão, mas sempre direi que a natural aposta no transporte aéreo remeteu para segundo plano o transporte marítimo de passageiros, viaturas e carga. O modelo de transporte marítimo de mercadorias que liga a Região ao continente respondendo satisfatoriamente às necessidades e às caraterísticas da Região necessita, contudo, de alguns ajustamentos.

Foto by Aníbal C. Pires
No contexto atual o foco da agenda política e da opinião pública regional está centrado nos transportes aéreos. E há razões de sobra para que assim seja, ainda que coexistam visões diferenciadas sobre os problemas existentes e, sobretudo quanto às soluções que se devem constituir como a opção política que sustente um modelo que tenha como fim último a coesão social, territorial e económica, afinal nada mais do que um dos desígnios autonomistas, O desenvolvimento harmonioso da Região.
Claro que esta formulação decorre da minha própria opção sobre o assunto. Não escondo o que penso, mas também não faz parte da minha forma de relacionamento com os outros a colonização do pensamento, ou seja, não tenho como prática discursiva impor a minha opinião. Exponho fatos, não abdico de ter opinião, mas fica sempre espaço para quem lê o que vou escrevendo e publicando.
E, como tal, deixo algumas notas que, em minha opinião, devem ser objeto de discussão e reflexão pois avizinham-se transformações que vão afetar, no futuro próximo, o modelo de transportes aéreos na Região.

- prevê-se que a curto prazo as Obrigações de Serviço Público (OSP) sejam revistas, o Governo da República não está disponível para suportar o continuado aumento anual que se verifica desde 2015. O valor para 2018 atinge (só para os Açores) quase 30 milhões de euros);

- numa próxima revisão das OSP a República anunciou (já escrevi sobre o assunto) que é sua intenção transferir a gestão processual para o Governo Regional. Tão conveniente esta transferência de competências para a autonomia. Fica por saber qual será o valor que o Governo da República vai alocar a um novo quadro de OSP;

- ainda no quadro da futura revisão das OSP, face ao descontentamento do processo de reembolsos, já foi manifestada a vontade pelo Governo Regional de alterar os procedimentos. Só há uma forma justa de o fazer, Acabar de vez com os reembolsos e os residentes pagarem apenas o valor da tarifa sendo o acerto de contas feito entre as transportadoras aéreas e o(s) Governo(s);

- existe ainda uma questão relacionada com a revisão das OSP e modelo de transporte aéreo que tem de ser equacionado. Os reencaminhamentos de turistas, a custo zero para os próprios, para uma outra ilha da Região criou graves constrangimentos aos residentes. Como é do domínio público devido a esta peregrina ideia a escassez de lugares, em particular durante o Verão, é uma das queixas que mais ecoam, mas não é só pois, não se entende que quem nos visita viaje de “borla” dentro da Região e os residentes continuem a suportar tarifas elevadíssimas para viajar de uma ilha para outra. Também este aspeto não pode ficar à margem da discussão das novas OSP e das alterações ao modelo de transporte aéreo de e para a Região.

Ponta Delgada, 08 de Abril de 2018
(continua na próxima semana)

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 09 de Abril de 2018

... dos transportes aéreos

Foto by Aníbal C. Pires






Fragmento de texto a publicar na imprensa regional e também aqui, no momentos









(...) No contexto atual o foco da agenda política e da opinião pública regional está centrado nos transportes aéreos. E há razões de sobra para que assim seja, ainda que coexistam visões diferenciadas sobre os problemas existentes e, sobretudo quanto às soluções que se devem constituir como a opção política que sustente um modelo que tenha como fim último a coesão social, territorial e económica, afinal nada mais do que um dos desígnios autonomistas, O desenvolvimento harmonioso da Região. 
Claro que esta formulação decorre da minha própria opção sobre o assunto. Não escondo o que penso, mas também não faz parte da minha forma de relacionamento com os outros a colonização do pensamento, ou seja, não tenho como prática discursiva impor a minha opinião. Exponho fatos, não abdico de ter opinião, mas fica sempre espaço para quem lê o que vou escrevendo e publicando. (...)

sábado, 7 de abril de 2018

Do Brasil a Sidney - crónicas radiofónicas




Do arquivo* das crónicas radiofónicas na 105FM 

Hoje fica o texto da crónica emitida a 13 de Janeiro de 2018 que pode ser ouvida aqui





Do Brasil a Sidney

Como eu, também deve ter acompanhado o que esta semana se passou no Brasil com a decisão sobre o recurso judicial de Lula da Silva. O tribunal de 2.ª instância não só confirmou a pena como a agravou. E era este o assunto que tinha em mente para partilhar hoje consigo. Sendo uma questão polémica e objeto de muita manipulação sentia-me na obrigação de vir a terreiro tentar introduzir alguns dados que permitam, pelo menos, uma reflexão para lá dos lugares comuns regurgitados nas corporações mediáticas. Mas depois de ler a crónica da Alexandra Lucas Coelho no portal sapo 24, resolvi ficar apenas pelo aconselhamento da sua leitura, por duas ordens de razão, A saber:
1.ª - a Alexandra Lucas Coelho não é uma perigosa comunista e, segundo aquilo que a própria afirma, se vivesse no Brasil nem sequer seria votante do PT;
2.ª – A Alexandra Lucas Coelho conhece melhor do que eu a realidade brasileira e, não só, mas também por isso, as suas palavras têm um valor muito diferente das que eu poderia, por mais convincente e elaborada que fosse a minha argumentação, partilhar consigo.
Deixo no site da 105FM, onde pode ouvir e ler esta crónica, a ligação para o texto da Alexandra Lucas Coelho. Não deixe de ler. Garanto-lhe que é interessante. (Aqui)

Imagem retirada da Internet
Agora que fiquei sem assunto que tal vir comigo até Sidney, na Austrália, onde se está a disputar uma competição mundial de râguebi feminino.
Não sabia, Então a televisão não disse nada, os jornais e as rádios também não, mas isso configura discriminação de género e ninguém diz nada, ninguém faz nada.
Não estou apenas a ser irónico. O desporto para as corporações mediáticas é pouco mais do que futebol e, só se for no masculino. Em Portugal o desporto no feminino só é notícia quando alguma atleta ou equipa se destacam internacionalmente, e isto não é ironia é um facto. É lamentável, pois é.
A viagem até Sidney serviu apenas de mote para introduzir a questão da discriminação que a cobertura jornalística generalista e especializada faz ao desporto no feminino, mas também à maioria das modalidades desportivas. Quem segue com atenção os noticiários desportivos dar-me-á razão. Pode até considerar que face à popularidade do futebol e às preferências pessoais é aceitável que assim seja, mas não deixa de ser verdade que o futebol, no masculino, hegemoniza os conteúdos dos noticiários desportivos.
Confesso que o futebol nunca foi a modalidade da minha predileção. Desde criança sempre preferi, quer como praticante quer como espetador, outras modalidades desportivas, contudo sempre fui adepto de um clube cuja equipa de futebol admirava e com a qual vibrava. Atualmente é-me indiferente, não tanto pela modalidade desportiva em si, mas pelas transformações que se operaram no seu modelo organizacional, hoje não são clubes são empresas, e pela forma como o futebol é noticiado, comentado, e dissecado em intermináveis programas radiofónicos e televisivos.
É insuportável todo o circo mediático instalado à volta de uma modalidade desportiva que vale por si mesmo e não necessitava, para ter sucesso, como aliás sempre teve, de tantos e, por vezes, ridículos programas e programinhas radiofónicos e televisivos.
Eu sei. Não é uma opinião lá muito popular e com opiniões destas não vou longe, mas na verdade eu também não quero ir a lado nenhum, sinto-me bem aqui.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 27 de Janeiro de 2018

(*) Esta crónica aborda, na sua primeira parte, uma questão que já teve desenvolvimentos e está longe do seu fim. Mantém no entanto atualidade que no que diz respeito ao Brasil, quer quanto ao assunto que aborda na segunda parte.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Curiosidades à volta da SATA

Foto by Aníbal C. Pires (2016)
Não tenho informação que me permita confirmar o valor que hoje veio a público (mais de 3 milhões e 500 mil euros) relativo ao custo do contrato entre a SATA e a Hi Fly para que esta última assegure os compromissos operacionais e comerciais da primeira, no Verão IATA 2018. Mas sei que ao valor inicial, seja ele qual for, será acrescido, tal como aconteceu em 2017, de mais algumas centenas, ou mesmo milhões de euros, pelas necessidades não previstas que resultam dos imponderáveis de uma qualquer operação aérea, no caso vertente com um risco mais elevado devido às caraterísticas (dimensão e disfunções organizacionais) da SATA.

Apenas por curiosidade, o valor divulgado por um dos sindicatos dos trabalhadores da SATA é semelhante ao valor base da alienação de 49% do capital social da Azores Airlines.

Foto by Aníbal C. Pires

Curioso é também o silêncio que paira, o silêncio e o segredo constituem a alma do negócio, sobre a divulgação das Manifestações de Interesse, Fase I, para a aquisição dos tais 49% da Azores Airlines, que teria de ser feita até ao dia 16 de Março, segundo o respetivo caderno de encargos.

Diz-se por aí que a passagem à Fase II deste processo, Propostas Vinculativas, está atrasada em virtude do elevado número de Manifestações de Interesse, ou seja, a SATA e a Comissão de Acompanhamento ainda não conseguiram, tal foi o número de Manifestações de Interesse, avaliar e validar todas as propostas. Estará aqui a justificação, plausível, para que ainda não seja do domínio público quais as candidaturas que passaram à segunda fase do processo.

Aguardemos pelas surpresas que por aí virão, tendo eu a ideia que o parceiro desejado por alguns pilotos e tripulantes de cabine (e não são poucos) não vai aparecer. Esperando para ver.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 03 de Abril de 2018

Ainda o “cachalote” e as minhas dúvidas

Foto by Aníbal C. Pires
A última publicação (aqui) gerou, naturalmente, muitos comentários, muitas reações e muitas visualizações.
Nada que não fosse expetável. Os transportes aéreos são estratégicos para a Região, a SATA é, ou deveria ser, um importante instrumento de desenvolvimento regional, ao que acresce a grande quantidade de especialistas em assuntos aeronáuticos por Km2 existentes nos Açores, grupo no qual, como tenho vindo a afirmar bastas vezes, não me incluo pois, a minha especialidade, por força das circunstâncias, versa sobre generalidades.
As opiniões que divulgo através dos meus textos de opinião transmitem, apenas e só, a opinião de um cidadão que procura estar atento ao que o rodeia e não abdica do direito de cívico de intervir na vida da sua Região, não abdica de questionar.
Este texto, ou melhor as palavras que se seguem, não pretendem clarificar nada, embora muitos dos comentadores de serviço nas redes sociais parece não terem entendido o conteúdo e alcance da anterior publicação, mas quanto a isso não posso fazer nada.
Como vinha dizendo as palavras que se seguem têm como objetivo complementar aquilo que ontem questionei e que posso resumir, da seguinte forma:

- O A 330 da Azores Airlines vai para a Hi Fly e a Azores Airlines por sua vez vai adquirir os serviços (A 330 e A340) da Hi Fly para a operação do Verão IATA (2018). Quais os valores que estão envolvidos nesta operação comercial e quem é que tomou a decisão. Isto tem de ser explicado ao accionista (Povo Açoriano). Ou seja, implícita ou explicitamente isto é o que escrevi ontem.

Foto by Aníbal C. Pires
Mas vamos lá então dar cumprimento ao objeto desta publicação.

- A Azores Airlines necessita, ou não, de aeronaves com as caraterísticas do A 330 para a sua operação.

- Existe, ou não, mercado para que uma aeronave com as caraterísticas do A 330 possa ser, mesmo estando ao serviço da Azores Airlines, alocada a charters e a ACMI.

- Qual o valor investido na formação das tripulações para o A 330.

- A necessária formação para reconverter os pilotos do A 330, mas também dos A 310 para os A 320/321, não terá tido custos muito elevados, mas também os terá, Quanto.

- Aparentemente existe um ganho que pode cobrir o crónico défice de tripulações da Azores Airlines, mas por outro lado com a chegada do segundo A 321 e o anunciado aumento das frequências nos voos para os Estados Unidos, para além de outros compromissos do plano operacional e comercial, mas também das rotas com obrigações de serviço público, deixa-me algumas dúvidas sobre a este aparente ganho ao nível do número de tripulações.

- Qual o valor do leasing operacional do A 330 que estava a ser pago pela Azores Airlines.

- Qual o número de horas contratualizadas à Hi Fly pela SATA (em regime de ACMI) para satisfazer as necessidades da operação do Verão IATA (2018). Parto do princípio que o valor do leasing do A 330 e tudo o que isso envolve vai ser, totalmente, suportado pela Hi Fly.

- Esta não é uma questão é um dado concreto. O Ciprião de Figueiredo vai para uma grande revisão de manutenção (prevista) e só depois será entregue à Hi Fly. Prevê-se que o cachalote esteja inoperante cerca de um mês.

- Ao que parece a SATA justifica esta opção de dispensar o A 330 pela por receios quanto à sua fiabilidade. Bem mas o A 330 é só a aeronave com maior fiabilidade da Azores Airlines. A avarias e incidentes todas as aeronaves estão sujeitas, aliás o novíssimo A 321 Neo, no momento em que escrevo estas linhas, ainda continua no chão devido a um problema técnico inesperado.

Foto by Madalena Pires (Fev. 2018)

Fico-me por aqui julgo que, por ora, é suficiente.

Um dia destes voltarei para uma breve incursão ao passado recente. Talvez, para conversar um pouco sobre o desastre que foi, mas podia não ter sido, a operação da Azores Airlines no Verão IATA de 2017. Talvez, porque o manancial temático sobre a SATA (Azores Airlines e SATA Air Açores), transportes aéreos na Região, liberalização de rotas, revisão das obrigações de serviço público e infraestruturas aeroportuárias é inesgotável e, como tal, as minhas opções são imensas, uma vez que há uns dias atrás quebrei o compromisso que tinha comigo próprio de não voltar a opinar sobre a SATA.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 03 de Abril de 2018

segunda-feira, 2 de abril de 2018

O A 330 da SATA lá se foi para a Hi Fly

Foto by Aníbal C. Pires
Ao que consta hoje terá sido realizado o último voo do Ciprião de Figueiredo, também conhecido por Cachalote, ou seja, o A 330 da Azores Airlines/SATA Internacional, ao serviço direto do Grupo SATA.
E os mais distraídos perguntarão, A SATA desfez-se desta aeronave que já foi a grande aposta do Grupo.
Os A 321 Neo chegam a Boston, mas para o Canadá não dá e, para Oakland nem pensar, a não ser com escalas.
Pois bem, ao que sabe a SATA vai fazer assim como uma espécie de cedência do leasing operacional do seu A 330 à Hi Fly. É isso mesmo, mas não é só.

Então, perguntarão os leitores, Como é que a SATA, sem os A 310 e sem o A 330, vai satisfazer os compromissos com as rotas do Canadá e de Oakland, Muito simples vai contratar em regime de ACMI (Aircraft Crew Maintenance Insurance) os equipamentos de voo (A 330 e A 340) à Hi Fly. O que significa que, eventualmente, poderemos continuar a ver o Ciprião de Figueiredo a cruzar os céus açorianos com a “bandeira da Hi Fly, com tripulação da Hi Fly, a fazer serviço para a SATA. 
Pode até nem vir a acontecer pois a frota da Hi Fly tem ao seu serviço, de entre outros modelos, cinco A 330 e cinco A 340. A Hi Fly pode afetar o Ciprião de Figueiredo a outros serviços e afastá-lo das rotas açorianas para não parecer muito mal e para que não se levantem muitas ondas sobre este, aparente, paradoxo.

Está confuso. Eu nem por isso pois, já nada me espanta no que ao Grupo SATA diz respeito, mas que é necessário que este negócio seja muito bem explicado aos acionistas, lá isso é.

O Grupo SATA é, ainda, de capital exclusivamente público, por conseguinte, o acionista é o Povo Açoriano. Quem representa os acionistas é o Governo Regional e julgo que está chegada a altura de solicitar ao representante do acionista explicações sobre estas opções, aparentemente, mas só aparentemente de gestão.

As decisões podem ser ancoradas em pareceres técnicos, mas a decisões são políticas e, como tal, não é o Eng Paulo Menezes que tem de responder. As perguntas têm de ser endereçadas à Secretária Regional dos Transportes e, em última instância, ao Presidente do Governo Regional.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 02 de Abril de 2018

Ponta Delgada 472 anos de cidade

Foto by Aníbal C. Pires


A cidade de Ponta Delgada, onde vivo há 35 anos, está a comemorar o seu 472.º aniversário. O momentos assinala este dia com dois pequenos textos em que esta cidade é tema central.
Ficam aqui os dois apontamentos, o primeiro é um excerto dum texto escrito em Novembro de 2009, o segundo, Cidade com portas e mar, está publicado no livro de poemas "O Outro Lado" (2014) ilustrado a aguarelas por Ana Rita Afonso.








(...) Há cidades míticas, cidades património, cidades ordenadas e desordenadas, megacidades, cidades capitais económicas, políticas e culturais, cidades comerciais, cidades industriais, cidades do pecado e do prazer, cidades de oportunidades, cidades tranquilas, cidades seguras e inseguras, cidades com alma e sem alma e há… a nossa cidade. A cidade onde nascemos e crescemos e nunca enjeitámos, a cidade onde vivemos por opção ou, por uma paixão que a casualidade atiçou e se transformou num grande amor que nos prende a esta, e não a outra cidade. E se o acaso da vida nos leva para longe… para outra cidade de oportunidades carregamos connosco a saudade dos espaços e das gentes que fazem única, a nossa cidade. (...)


Foto by Aníbal C. Pires (aguarela de Ana Rita Afonso)
Cidade com portas e mar

Neste sábado, talvez por ser sábado e com a cidade envolta num manto de nevoeiro, sentia-se, respirava-se, tranquilidade. Até as gentes caminhavam mais devagar, sem pressas, até os jovens conversavam em surdina, com gestos de ternura. Talvez por ser sábado, talvez para não despertarem o mito prometido para uma manhã de nevoeiro. Mas já não era alvorecer e mitos são mitos, não se deixam perturbar e muito menos influenciar. Porquê esta quietude húmida, quente… porquê esta dolência. Não sei, mas quero-a. Quero esta serenidade envolta nas místicas brumas que chegam do Sul. E fico ali, vivendo o tempo, fico ali a contemplar o dia na cidade que tem portas e mar.
E a noite abate-se sobre a cidade que hoje se vestiu de cinzento e tudo ficou ainda mais tranquilo. A quietude da cidade é, por vezes, suspensa pela luz dos candeeiros que ladeiam as praças e avenidas numa vã tentativa de abrir brechas na densa bruma e, pelos faróis dos raros carros que teimam em embaraçar a tranquilidade deste sábado. Aqui, nesta cidade vestida de cinzento para receber a escura e longa noite.






domingo, 1 de abril de 2018

A chacina continua

Imagem retirada da Internet

No passado dia 30 de Março o exército israelita cometeu mais um crime contra o povo palestiniano, mais um crime contra a humanidade, ao disparar sobre as dezenas de milhar de manifestantes na faixa de Gaza. Foram 17 vítimas mortais e 1400 feridos.
Os manifestantes exigiam (e vão continuar a fazê-lo) o cumprimento das resoluções da Nações Unidas, só isto. O cumprimento do Direito Internacional.
Esta ação de Israel, tal como muitas outras, fica uma vez mais sem a condenação explícita do Conselho de segurança das Nações Unidas. Mas se do Conselho de Segurança das Nações Unidas não se esperava nada, e assim foi, já de António Guterres seria expetável uma condenação deste ato de terrorismo de estado, mas o Secretário-geral das Nações Unidas limitou-se a exigir a realização de uma investigação independente. Enfim a cumprir o que o patrão lhe ordena.
As imagens sobre os acontecimentos são esclarecedoras, violentas e chocantes. Um exército a disparar sobre pacíficos manifestantes utilizando tanques, aviões de combate, drones e franco-atiradores.


Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 01 de Abril de 2018

Manuela D'Ávila - a abrir Abril

Manuela D'Ávila (imagem retirada da internet)




Porque bonitas são as mulheres que lutam Manuela D’ Ávila abre o mês de Abril no momentos.








Manuela D'Ávila (Imagem retirada da internet)




Manuela D’ Ávila é militante comunista (PCdB) e está indigitada como pré-candidata às eleições presidenciais do Brasil que se realizam este ano.







Manuela D'Ávila (imagem retirada da internet)




Foi deputada federal pelo Rio Grande do Sul entre 2007 a 2015 e líder de seu partido na Câmara dos Deputados, em 2013. Exerce atualmente o mandato de deputada estadual no seu estado (Rio Grande).